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riscos_e_rabiscos

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Freud, explica-me!

 

Sonhei com uma flor esta noite. Recordo-me da imagem da flor mas não sei o nome. Estava num vaso. Era grande, em tons rosa e violeta e com belas folhas viçosas. Um belo espécime de flora a transbordar de vida.

 

Sei que fui com alguém buscar a flor não sei onde. A uma casa que não sei identificar. A intenção era levá-la para a minha casa.

Ia a conversar com a tal pessoa que me acompanhava, quando o vaso me escorregou das mãos. O vaso despedaçou-se no chão, a flor desmembrou-se, tendo danificado flor e folhas. Lembro-me de ter ficado atrapalhada e estática sem saber o que fazer, ao mesmo tempo que o meu coração se apertou por ter sido a causadora do estrago de tão bela flor.

O sonho termina com a tal pessoa a dizer-me que agora tinha de ser ter muito cuidado com a planta para ver se ela conseguia sobreviver. E lembro-me de ter pensado para comigo própria, com preocupação, que teria de ir todos os dias verificar o estado da planta à minha casa.

 

A cena repetiu-se hoje, de novo. Não estou a gostar nada disto porque me perturba imenso. E gostaria de saber por que me estão a aparecer aos meus pés…

Tinha acabado de sair do colégio e vinha a descer a rua quando me deparo com mais um animal morto. Era um ratinho peludinho e bonito. Fez-me lembrar um hamster. Parecia um dos personagens da Beatrix Potter. Mais um nó na garganta, mais olhos inundados de lágrimas. E o suficiente para me deixar a pensar.

 

Será que isto são sinais de alguma coisa? Que interpretação posso fazer daqui? Serão coincidências ou indicadores de algo? Senhor Freud, se por acaso passar pelo meu blog e ler este post, faça-me um favor… interprete-me lá isto tudo!

Com mais umas confusões na cabeça, resisto.

 

O Gato

 

Fui para a escola como todos os dias.

Desci a minha rua com a pressa habitual de quem receia perder a viagem.

Começo a ver algo no meio da rua que me parecia um cartão.

Fui-me aproximando e temendo confirmar o meu receio.

O meu receio foi confirmado por aquela visão terrível.

Era um pobre gato. Jazia morto.

Todas as suas vidas lhe tinham sido roubadas de uma única vez.

A cama de sangue que o acolhia mostrava a crueldade perpetrada.

 

Desci o resto da rua com os olhos rasos de água.

Ocultos pelos meus óculos escuros.

Assaltou-me um sentimento de revolta.

Da cabeça não conseguia afastar aquela imagem.

Pobre animal. Ali morreu e ali ficou.

Nem uma réstia de dignidade lhe deram.

Morte e abandono no meio de uma estrada qualquer.

 

O meu coração apertou-se. Um nó formou-se na minha garganta.

Um ser humano indigente que morre é acolhido por alguém.

E o pobre gato?

Ficará ali até que a sua existência seja levada pelos pneus dos carros?

Ficará à mercê deste destino que lhe ceifou as suas sete vidas subitamente?

 

Este cenário perturbou-me imenso.

Quem me conhece sabe como eu adoro animais.

Ver animais mortos - nem que sejam os pombos que tanto detesto – dilacera-me o coração!

Porque não desci a rua pelo passeio em vez de ir pela estrada?

Mais uma vez… Resisto.